Katukina
Da série “Desaparecendo”
Tinta Spray sobre madeira tela.
110cm x 160cm
2015

Obra a venda.

Os Katukinas são tribo indígena da região do Acre, de cultura tradicional detentores do conhecimento do Kambô e do Rapé.
A tradução do seu nome significa “Gente Mansa”, e é um povo que vem sofrido com a ocupação petrolífera, mineradoras, construção de rodovias e desmatamentos que violam seu território e sua cultura original que aos poucos está sendo exterminada viva.

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Histórias que não nos contam quando crianças

Extensos mares de cabeças
plantados um a um por mãos de níquel
mãos de carvão
mãos de guilhotina
mãos de fio
mãos, que possuem no lugar de dedos outras incontáveis mãos
que seguram números expremidos por entre os anéis de sangue.

Exércitos sem escolhas são aterrados até o pescoço,
Índios, índios, são incontáveis índios,
obrigados a comer poliester e cospir números,
Índios, índios horizontes de fadados índios
fardados abaixo da terra por uma manta espessa
de plástico
de silicone
e transgenias
que ninguém come.

Máquinas, ódio e sacos de Acres de esquecimento
Chumbo no peito do outro que tem voz de figueira
expremido nas engrenagens azedas movidas a açúcar e gelo
que escorre um líquido preto oxidado, viscoso e sarcásticamente doce.

( Enquanto uma criança retira do bolso uma pequena espada
que permite que enchergue vaga-lumes em pleno dia)

Índios, índios, são incontáveis indo
pela terra de cimento exposto,
enterrados com espelhos pelos seus pescoços.

***

E um mono-motor que sobrevoa os campos de concentração de renda
observa apenas sementes de semáforos e andaimes,
Por que ninguém apresenta o ódio para aquela menina?!
Lhe explica o simples fato, de que as empresas que vendem palitos de fósforos
plantam extensos quarteirões de índios
para de suas cabeças extrair cientificamente pólvora
e de seus corpos sintetizar a já patenteada pequena caixa vazia.

Enquanto donas de casa riscam as cabeças de índios katukina
para extrair um fogo espesso de seu fogão extenso
afim de, alquimicamente, transformar seu bichinho de estimação
em uma refeição conhecida dos livros de culinária dos canibais dos supermercados
Pois enquanto famílias feitas de dentaduras e margarinas comem seus antepassados no jantar
pequenas galáxias somem abaixo da porcelana,

Segredos que nunca hão de saber se calam
Deixando um rastro de lápides vegetais
suspensas pela raíz do medo
surpresos com a gula do homem.

dado motta – 12/01/2005