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Poster para peça baseada em vida & obra de Hilda Hilst.
Direção: Rui Cortez
Atuação & Concepção: Rosaly Papadopol
Hilda de Almeida Prado Hilst
(1930 — 2004)
Foi uma poetisa, escritora e dramaturga brasileira. Poeta maldita, abordou temas tidos como socialmente controversos, como o lesbianismo, a homossexualidade e a pedofilia. No entanto, conforme a própria escritora confessou em entrevista, seu trabalho sempre buscou, essencialmente, retratar a difícil relação entre Deus e o homem.
I
É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A vida é líquida.
Trecho de poema “Alcoólicas” de Hilda Hilst

Poster fictício para Filme “Bab`Aziz”, da Trilogia do Deserto de 2006, dirigido por Nacer Khemir. Após sessão as 23h no Cinesec, ontem, filme da mostra de cinema árabe.
“Ao vislumbrares a dissolução
serás arrancado de ti mesmo
e libertado de tantas amarras.
- Vem, retorna à raiz da raiz de ti mesmo.
Nasceste dos filhos dos filhos de Deus,
mas fixaste muito abaixo a tua mira.
Como podes ser feliz assim?
- Vem, retorna à raiz da raiz de ti mesmo.”
Trecho de poema de Jalad ud-Din Rumi